domingo, 11 de julho de 2010

Quando o Cupido ataca!!!!

Quem é que nunca suspirou profundamente ao lembrar-se de alguém especial ou a escutar aquela música que tocou no dia em que se beijaram pela primeira vez? Quem nunca teve a ilusão de sentir o perfume da pessoa amada, quando esta estava longe ou de reviver na memória, inúmeras vezes ao dia, os prazerosos momentos que passaram juntos?
Logo que constatamos em nós esse estado de enamoramento, começamos a nos questionar. Parecemos estar estranhos a nós e aos nossos sentimentos. Os colocamos à prova, a fim de nos certificarmos se são mesmo verdadeiros, efêmeros, reais ou ilusórios.
Em meio a todas essas emoções e expectativas, aparece também um dos nossos sentimentos já bem conhecido, o medo.
Temos medo de amar e de ser rejeitado, de não ser correspondido. Medo de nos sentirmos fragilizados e vulneráveis. É como se houvesse um “fantasma” que nos assombrasse, sempre lembrando que a qualquer momento a relação pode acabar e que o outro pode não querer mais viver algo conosco.
Tais “fantasmas” estariam intimamente relacionados com experiências vividas anteriormente. Não apenas experiências de antigas relações, mas de nossos primeiros vínculos afetivos. Registros de sentimentos de desamparo e de abandono que vivenciamos desde os primeiros anos da infância.
Há também o pânico que nos invade, quando nos deparamos com aquilo que realmente buscávamos. Quando encontramos aquele ou aquela que era exatamente como queríamos. Parecemos não saber o que fazer com esse sentimento tão intenso de alegria. Nesse momento o nosso medo é de sermos amados, da relação dar certo e de sermos felizes.
Devemos então nos lembrar que com o medo vem junto a coragem. Uma força que nos impulsiona e que nos lança em direção ao que desejamos. Ao ficarmos paralisados frente ao que tememos (e tememos também porque queremos), ela nos faz dar o próximo passo. Avançamos um pouco mais, quando nos permitimos agir com ousadia, insistência, parecendo muitas vezes incansáveis em nossa busca.
Nossa própria condição humana nos dá esses pares de afetos que nos constituem interiormente, como o medo e a coragem. Um pólo força-nos em direção a recuarmos e o outro nos empurra a avançar. Estabelece-se um conflito dentro de nós nesse momento. É dessa maneira que nos angustiamos tanto frente às nossas escolhas.
Escolher entre seguir em frente e investir em uma possível relação, ou deixá-la passar na tentativa de nos protegermos. Oh dúvida cruel!!!
Se decidirmos seguir em frente, será preciso arriscar. O que quer dizer, assumir que toda relação corre o risco de dar certo e também de fracassar. Se recuarmos, não nos arriscaremos e acreditaremos que assim, estaremos mais seguros e protegidos das frustrações amorosas.
Para assumir a aposta, é preciso que tenhamos desistido de acreditar que a vida nos dará algum tipo de garantia. Oferecer o nosso sentimento a outra pessoa, otimistas de que nela o sentimento também desabrochará. Mas garantia de que isso nos acontecerá não teremos. Será preciso suportar essa posição que sentimos com aquele friozinho na barriga, se quisermos estabelecer algo com maior envolvimento e comprometimento.
Apenas poderemos ter certeza de estarmos escolhendo algo de acordo com o que desejamos viver e com o quanto nosso limite nos permitirá investir. Para isso teremos que nos aproximarmos de nós mesmos e conhecermos quais são eles.
É preciso certa dose de adrenalina, um espírito um tanto aventureiro, um desassossego no peito, é preciso coragem para amar!
Ana Paula Dilger

terça-feira, 6 de julho de 2010

COMO SE CHAMA

Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto - como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente - como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota - como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome. (Clarice Lispector)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sobre a Transferência

"Deve-se compreender que cada indivíduo, através da ação combinada de sua disposição inata e das influências sofridas durante os primeiros anos, conseguiu um método específico próprio de conduzir-se na vida erótica - isto é, nas precondições para enamorar-se que estabelece, nos instintos que satisfaz e nos objetos que determina a si mesmo no decurso daquela. Isso produz o que se poderia descrever como um clichê esteriotípico (ou diversos deles), constantemente repetidos - constantemente reimpressos - no decorrer da vida da pessoa, na medida em que as ciscunstâncias externas e a natureza dos objetos amorosos a ela acessíveis permitam, e que decerto não é inteiramente incapaz de mudar, frente a experiências recentes."

(Freud, S. A dinâmica da transferência - Obras Completas)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A pipa e a flor


Um menino confeccionou uma pipa. Ele estava tão feliz, que desenhou nela um sorriso. Todos os dias, ele empinava a pipa alegremente. A pipa também se sentia feliz e, lá do alto, observava a paisagem e se divertia com as outras pipas que também voavam.
Um dia, durante o seu vôo, a pipa viu lá embaixo uma flor e ficou encantada, não com a beleza da flor, porque ela já havia visto outras mais belas, mas alguma coisa nos olhos da flor a havia enfeitiçado.
Resolveu, então, romper a linha que a prendia à mão do menino e dá-la para a flor segurar. Quanta felicidade ocorreu depois! A flor segurava a linha, a pipa voava; na volta, contava para a flor tudo o que vira.
Acontece que a flor começou a ficar com inveja e ciúme da pipa. Invejar é ficar infeliz com as coisas que os outros têm e nós não temos; ter ciúme é sofrer por perceber a felicidade do outro quando a gente não está perto.
A flor, por causa desses dois sentimentos, começou a pensar: se a pipa me amasse mesmo, não ficaria tão feliz longe de mim... Quando a pipa voltava de seu vôo, a flor não mais se mostrava feliz, estava sempre amargurada, querendo saber com quem a pipa estivera se divertindo.
A partir daí, a flor começou a encurtar a linha, não permitindo à pipa voar alto. Foi encurtando a linha, até que a pipa só podia mesmo sobrevoar a flor.
Esta história, segundo conta o autor, ainda não terminou e está acontecendo em algum lugar neste exato momento.
Há três finais possíveis para ela:
1 - A pipa, cansada pela atitude da flor, resolveu romper a linha e procurar uma mão menos egoísta.
2 - A pipa, mesmo triste com a atitude da flor, decidiu ficar, mas nunca mais sorriu.
3 - A flor, na verdade, era um ser encantado. O encantamento quebraria no dia em que ela visse a felicidade da pipa e não sentisse inveja nem ciúme.
Isso aconteceu num belo dia de sol: a flor se transformou numa linda borboleta e as duas voaram juntas
(* Rubem Alves, “A pipa e a flor”, 2003, Editora Loyola )

sexta-feira, 11 de junho de 2010

"Mas para ser justa, admito que as mulheres também devem ter adorado ver atriz perder o rumo. Continuar linda com quarenta anos, vivendo uma violenta paixão, rica e famosa – é demais para a inveja da gente. Se diante da queda de uma mulher irresistível os homens gozam por sua própria libertação (o desejo escraviza, certo?), as mulheres gozam a revanche de todas as invejas recalcadas. Vergonha para uns e outras, claro. A inveja e o ressentimento, já dizia Nietzsche – este filósofo detestável – são atributos dos fracos, dos escravos, que não ousam lutar por um lugar entre os deuses. Eu já não gosto muito desse papo de deuses, de seres superiores e inferiores, mas concordo com o pára-choques de caminhão: a inveja é uma merda. E quanto aos homens, por favor: tentem pelo menos estar à altura das mulheres que vocês desejam, em vez de ficar esperando a oportunidade triste de festejar a sua decadência."

Maria Rita Kehl

domingo, 6 de junho de 2010



"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar"



"Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar”



"Mas nós somos como as lagartixas que perdem o rabo: logo um rabo novo cresce no lugar do velho. Assim é com a gente: logo a vida volta à normalidade e estamos prontos a amar de novo.A saudade doída passa a ser só uma dorzinha gostosa."


RUBEM ALVES

terça-feira, 1 de junho de 2010

As relações afetivas nos jogos da internet.

Jogos e sites possibilitam para o usuário criar infinitas formas diferentes de ser e de se expressar, incluindo também escolher as mais variadas características físicas e biotipos que lhe agradem.
Essa oferta pode parecer muito sedutora em um primeiro momento. Oferece a possibilidade de um universo em que cada pessoa pode imaginar e criar em outra realidade, sendo esta virtual, tudo aquilo que lhe for desejável.
O jogador, dessa maneira, pode viver um personagem que não se depara com as limitações e obstáculos da vida real e do seu cotidiano. É como se pudesse existir uma vida em que houvesse apenas prazer, o tempo todo.
Neste mundo de "faz-de-conta", é possível vivenciar inúmeros relacionamentos, marcando quantos encontros românticos seja possível desejar, assim como criar cenários onde os personagens são capazes de satisfazerem-se por completo.
Podemos pensar então, o que se espera alcançar ao se relacionar de maneira afetiva, sexual e/ou erótica no universo virtual. Será apenas diversão, entretenimento ou curiosidade? Ou será que pode haver também uma tentativa de se relacionar com outra pessoa apenas utilizando a imaginação.
Esta outra pessoa que, por estar nesse terreno virtual pode ser tomado como um ideal, vindo a ocupar ou a satisfazer alguns anseios que só um personagem pode proporcionar.
Quando dois personagens se relacionam em um mundo virtual consegue-se controlar a distância entre o personagem e o diretor da história inventada. Na maioria das vezes quem dirige prefere preservar sua identidade, fazendo-se anônimo neste momento.
Em uma relação que se dá no campo real não é possível de se encobrir por muito tempo sua individualidade e suas peculiaridades, em função da proximidade e intimidade com o par. Assim, quem dirige e atua na própria história terá que se implicar e se responsabilizar pelos atos cometidos e palavras ditas.
Por outro lado, quem nunca ouviu falar de casais que se conhecem, namoram e até casam pela internet? Temos conhecimentos que muitas dessas relações tornam-se presentes na vida real, passando a relações estáveis e duradouras.
O recurso da internet facilita a comunicação entre os parceiros, como também permite que o vínculo afetivo se dê com maior facilidade para algumas pessoas, ainda mais no caso da timidez aparecer.
O limite entre o uso desses jogos e sites de relacionamentos que despertam fantasias, e alguém que pode estar desenvolvendo um comportamento patológico (gerando dependência dessas relações virtuais), está na habilidade do internauta em não restringir sua vida social e afetiva somente a encontros e conversas que aconteçam apenas em frente à tela de um computador. (Ana Paula Dilger)




texto publicado em: http://www.portalmex.com.br/